Travelling (parte 1)

Capítulo I

Preâmbulo. Entrevista a Clemente Padín

La obra no es el nudo sino el acto que desencadena. Clemente Padín. 1969

—Clemente: charlemos de tu experiencia en la década del ´60 y como pensás que esta influyó en el advenimiento de los nuevos medios en Uruguay.

-Os anos 60 foram um crisol para onascimento de novas formas epossibilidades expressivas em todas asáreas da arte, a dança, a escultura, amúsica, a plástica, etc.

Surgem novos gêneros: a arte da ação,a performance, o happening, a artecorreio, a poesia experimental, também nasce o conceitualismo, com suas vertentesanglo-saxônica e latino-americana.No caso da arte-correio há uma irrupção disruptiva em volta ao assunto, era umaproposta radical para trabalhar ao margem do mercado, sair do mainstream eprivilegiar a comunicação.

A arte-correio nasce nos anos 60, a partir da atividade do artista Fluxus Ray Johnsonem Nova York, e na metade da década já conta com um circuito latino-americanoformado, principalmente, pelos mesmos artistas que alimentavam às revistas epublicações alternativas da época: Guillermo Deisler, Edgardo Antonio Vigo, DámasoOgaz e tantos outros entre os que também estava quem agora fala. Hoje fala-se deinteratividade como conquista da arte digital, porém nasce nas primeiras experiênciasde Ray Jonson com seus envios postais “Add and Pass”.É um tipo de arte que transcendeu todas as mudanças, mesmo agora que existe umacomunicação mais direta como o e-mail, a arte-correio continua vigente.Eu considero que é um meio… não vou dizer revolucionário, porque não provocamudanças radicais em nenhuma área da atividade humana, mas sim “disruptivo”porque consegue pôr em xeque o sistema das artes, obrigando-o a reformular seusobjetivos de cara à sociedade e ao sistema. A arte correio deve muito a artistas comoDick Higgins ou Ken Friedman que fizeram possível sua expansão quando impuseramincluir em cada catalogo os endereços postais dos participantes. Assim foram segerando as redes regionais, bases do grande networing

- Você mencionou a poesia experimental…

-Sim, é claro. Isso foi uma evolução interessante que, tal vez, originou-se em umaquestão de gerações. Lembro que nos anos 60 os jovens tinham muitos problemaspara publicar ma mídia, pelo peso da geração do 45… não podíamos publicar nossostrabalhos em lugar nenhum, controlavam as editoras, as páginas literárias, as feiras…Por isso não tivemos outra saída que criar nossos próprios meios de difusão. Assimum grupo de estudantes de letras nos unimos e publicamos uma revista que sechamou “Os ovos do Prata” (“Los huevos del Plata”). Procuramos um nome quefosse a contrapartida dos nomes prestigiosos, transcendentes e de uma única palavraque tinham as publicações dos autores do 45: Arca, Marcha, Diálogo, Lumen…Escolhemos um nome que quebrasse essa tradição: “Os ovos do Prata”. Foram 17números mantidos graças aos assinantes e isso demonstra que contávamos comapoio.Essa experiência nasce basicamente como uma reivindicação da nossa geração eafirma-se na criação de uma alternativa à expressão literária da geração anterior,voltada principalmente para o Realismo Literário. Nos tínhamos outros interessesmenos limitados. Estávamos muito interessados em atualizar nossa cultura, alheia, porexemplo, ao Estruturalismo francês.Também recuperamos poetas que tinham sido sepultados pela geração do 45…Alfredo Mario Ferrerio, Casaravilla Lemos, etc. e outros mais próximos como AparicioVignoli e o pintorErnesto Cristiani,autor de“Estruturas” unsdos primeiros livrosde poesiaexperimentaleditado no Uruguai,em 1960. Enfim,estávamosdispostos a criarqualquer forma dearte que fosse emcontra de tudo isso,e assim fomosdescobrindo apoesia experimentale outras formasartísticasexperimentais comoa performance, ainstalação e a artecorreio.

Clemente Padín. 1970

- E a poesia visual?

-Através da trocanas nossasrevistas, “Os Ovos”e depois “OVUM10”fomos conhecendoas experiências queem relação àlinguagem vinhamsendo realizadas nomundo. Assimnossas posiçõesforam evoluindo e caindo na experimentação e, explicitamente, em determinadasformas da poesia visual. Naqueles anos a linguagem era considerada como um dossistemas de controle da sociedade e, por isso, estrategicamente, tentou-se “escrever”sem que o significado verbal fosse favorável à intenção do sistema dominante queimpunha a verdade pela “elegância da expressão”, “o poder de quem se expressava”ou “a verdade revelada pela autoridade”.Por tudo isso, porque não queríamos deixar de escrever, a poesia, a semântica nosatraiu, ou seja, poesia sem significação verbal (o que hoje se conhece como“asemics”). Foi uma etapa curta e efêmera pois a poesia sem significação verbal temos dias contados. Já por 1972 tínhamos deixado de produzir e voltamos à semântica,mesmo que fosse do verso, trabalhando visualmente as possibilidades expressivas deuma ou duas palavras no máximo.

-Que artista dessa época, e que tenha trabalhado esse formato, poderia destacar?


—Daquela época, deixem-me destacar um grande poeta uruguaio, Jorge Caraballo, quecriou um dos poemas visuais mais comovedores que conheça: “Pátria”

Jorge Caraballo. Patria

Naquele momento, em outros países latino-americanos, também vinha se trabalhandoneste tipo de poesia. Assim, em La Plata, Argentina, Edgardo Antonio Vigo, diretor dasrevistas Diagonal Cero, Hexágono 70, W.C e outras, apresentou suas ”Proposições arealizar” com as que tentava obter a participação do leitor na criação. Também oschilenos Guillermo Deisler e Dámaso Ogaz, e outros como o movimentoPoema/processo do Rio de Janeiro, estavam na mesma onda.Também mantínhamos comunicações com artistas europeus, sobretudo franceses.Precisamente, o editor da revista “DOC(K)s da Francia, em 1975 publicou um livro daminha autoria, “De la Representation a l´Action”, onde promovia um arte “semobjetos”… Mas aconteceu que por causa do meu encarceramento, não pude sair paradifundir essas idéias e a proposta caiu no esquecimento. Quando pude fazê-lo, no finalde 1984, ano da queda da ditadura no Uruguai, já era tarde…Em meados dos anos 80 tive a oportunidade de fazer realidade essas ideias atravésda inumerável quantidade de intervenções urbanas que realizei em Montevidéu eoutras cidades, as que chamei “acontecimentos artísticos – sociais”. Também, depoisda minha viagem para Berlim, obtive meu primeiro vídeo e me afirmei como performer,culminando a década com a organização do “Primeiro encontro latino-americano deArte na rua”, realizado em Montevidéu em 1990. Que já pertence a uma etapa maisatual da minha carreira.

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Capítulo II

A história olhada desde dentro. Charla com Enrique Aguerre

—Pensando numa nota sobre História da Nova Mídia no Uruguai é iniludível seutestemunho, por isso a proposta dessa entrevista (que mais seria uma conversação)onde espero que você me conte, de maneira descontraída e simples, sua experiênciasobre o assunto.

— Na realidade “Nova Mídia” é um conceito que foi mudando, agora já seria velhamídia, “old new media”… mas depois vamos falar disso… primeiro vamos ao começo.No Uruguai, até os anos 81,82 era possível trabalhar em super 8, aquilo que sechamava experimental ou ficção, e eram exibidos num espaço interessante quepromovia o SODRE e também Cinemateca, ali nos apresentamos com váriostrabalhos desse tipo.No ano 83 participei de uma oficina de JJMugni num teatro que ficava embaixo doMAC, ele convidou cineastas argentinos como Narcisa Hirsch, Marie Louise Alemanne mostrou obras de Claudio Caldini (eu já tinha referências desses autores). Semprefui cinéfilo mas nunca tinha me interessado o cinema comercial, então considerei queessa era uma boa oportunidade para conhecer de perto a realização, mas com umaabordagem que estava mais próxima daquilo que eu esperava do cinema.Depois chegou o vídeo (que podemos considerar como o primeiro meio da novamídia), porque no Uruguai não havia acesso a outros meios para experimentar. E como vídeo surgiu um circuito onde se faziam coisas que podemos considerar alternativascomo a televisão de autor, cinema econômico, videoclipes… ou seja, a produçãoestava, mas não havia nenhum lugar para a exibição, você tinha que chegar com seusrecursos e armar o lugar onde apresentar, as salas de arte não estavam abertas aesse tipo de expressão (nem tinham o equipamento para isso).Então, acho que seria correto dizer que o primeiro “novo meio” foi o vídeo, novo emrelação ao velho, que seria a fotografia, felizmente isso não é mais que umalocalização cronológica porque tudo isto mistura-se, contamina-se entre si.No ano 85 exibi pela primeira vez um vídeo meu, tinha pouca gente dentro do campoda arte trabalhando nisso, era interessante o Grupo Octaedro, Fernando ÁlvarezCozzi, (http://fronteraincierta.blogspot.com/2007/02/la-condicin-video-iv.html),Clemente Padìn, eram pessoas que já estavam trabalhando fazia tempo e meinteressava muito a conexão deles com o “Fluxus”, interessava-me o olhar para adesmaterialização do objeto e eles estavam nesse caminho.Depois do ano 90 houve uma fratura porque eu sentia que estava me repetindo e eugosto de trabalhar desde o desconforto. Então, fiz uma parada e comecei a trabalharcom as ferramentas digitais que, naquele momento, eram muito primitivas.

-Naquele momento quem trabalhava com esse tipo de ferramentas?

-Bem, os computadores nesse momento eram como uma ferramenta de design, nãoera arte mas sim era algo criativo, houve algumas experiência de desenho infograficoque imitavam à arte mas não criavam a partir desse suporte.A questão foi que nos começos dos anos 90 muitos recusavam-se a trabalhar com ocomputador, começaram a utilizá-lo por necessidade de trabalho. Por exemploFernando Álvarez Cozzi, ele trabalhava na revista Posdata e teve que aprender a usaro computador desde o começo do design mas como isso acontecia em volta de umgrupo de artistas (Fidel Sclavo, Ariel Seoane, Martìn Mendizábal) surgiu um ninho deideias referentes à arte.Eu tinha uma ilha montada na minha casa e Ronald Metzel me propus um trabalho desubtítulos, então com meu sócio sentimos a necessidade de comprar una Commodoreque nos permitisse experimentar e trabalhar (viver disso), eram equipes de resoluçãomuito baixa e isso nos fez pensar que sempre íamos trabalhar assim; com equipes debaixa resolução. Para nós o low fi não era uma opção, era a única forma de trabalhopossível.Começamos a trabalhar com nossa amiga Commodore, que sofreu experiênciasextremas (risos) e preparei uma obra para o Instituto Goethe. Fiquei satisfeito com issoe já nos anos 90 comecei a trabalhar com vídeo numa escala multimídia.Sobre o ano 93 aparece Amarillo , o bar dos Burguez e Edu Lamas, eles meconvidaram para fazer visuais, assim que envolvia à amiga Commodore numa toalha edali projetávamos vídeos numa enorme parede branca (era uma fábrica antiga). Esseera um espaço (e um momento) de expressão livre, onde interagia com as bandas aovivo, entrávamos uma linha de áudio e eu misturava imagens desde a minha queridaCommodore… Há 15 anos já, esse foi o primeiro uso criativo que dei à máquina. Aíconheci a Alcides Martínez Portillo, que fazia suas performances com tubos de néon,interessava-me o que ele fazia por sua raiz Fluxus mas também por seu modo depensar à arte. Acho que seria importante dedicar um capítulo especial para este artistaque foi impressionante…

-Para você qual é o ponto de partida da Nova Mídia?

-Penso que quando falamos de Nova Mídia, falamos de computadores, porque o usodesse sistema muda o paradigma. O computador é a única máquina generativa e issofaz a diferença com outros “meios”, esse é para mim o ponto de partida. Por tanto, aNova Mídia, pura e dura, implica o uso de computador, que é a única maquinagenérica, uma máquina que faz aquilo que você mandar, dirige um satélite, bateovos… então aí muda a história.

Aguerre-Civils

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Mas, além disso, acho que a Nova Mídia tem sua origem na metade do século XIX,com o começo da fotografia, aí falamos de uma imagem produzida por uma maquina,por um aparelho.A diferença é essa mudança de paradigma, ou seja, a imagem técnica é texto, é textocientífico aplicado (é invisível mas está), quando você filma coloca uma serie dealgoritmos na maquina que depois são decodificados. Para mim o interessante é isso,entrar nesse processo, não apenas apontar ao… mas sim pesquisar se posso fazercoisas em contra disso para gerar outro sentido.¿Por quê? Porque algumas vezes esses meios são meios de controle, de submissão,então se como dizia Debord “a imagem brilhante polida é mentira”, tal vez deveríamospensar nessa engenharia inversa que se faz sobre as coisas.Por isso as máquinas sempre me fascinaram, elas têm um uso recomendado pelofabricante e outro que você inventa, então, o verdadeiro uso artístico não está em quevocê possa fazer coisas lindas ou feias, senão em que você possa se apropriar doobjeto e dar-lhe um novo uso.A chegada da Internet no Uruguai foi limitada e custosa, mas igualmente houvepessoas que trabalharam sobre isso desde o começo; Brian e Alcides.É por isso que eu sempre falo deles como referências históricas:Brian, vem da música e ele começou a fazer coisas a partir dali.Alcides, trabalhava desde outro lugar, ele foi um artista que gerou um monte decoisas, tinha uma forte conexão com o movimento Fluxus, sua vida tinha a ver comsua obra, não fazia registro das obras, acho que pela aposta por desmaterializar…embora as vezes parecesse que fosse por sabotar seus próprios projetos.Tudo o que se viu (ou se conhece) são como esquírolas de uma grande obra queainda falta recopilar, historiar, dar-lhe um sentido profundo.No ano 2000, eu tinha um software que permitia fazer certas coisas e eu disse paraAlcides que queria programar (tinha uma mente totalmente analógica que não mepermitia passar para o outro lado do espelho) e ele me deu um livro cheio de fórmulase textos, difícil!Era um manual que permitia escrever numa linguagem que você mesmo dirigia, aípude entender os conceitos (que agora 10 anos depois, entendo bem), estou dizendoisto e me lembro de um livro que se chama “Aprenda a programar em 10 anos”…(risos) esse é o tempo mínimo para fazer as coisas, entender as leis do pensamentoalgorítmico… a computação é algo muito importante para deixar unicamente nas mãosdos programadores (risos).

-Há algum outro artista uruguaio que tenha como referência, alguém que trabalhassecom arte generativa?

-Costigliolo e Maria Freire, com os que passei muitas tardes da minha vida e aprendimuito de arte. Costigliolo tem um pensamento algorítmico análogo, seus antecedentessão o minimalismo e o conceitualismo, o geométrico, ele expõe tudo isso no seu livro.Também Osvaldo Cibils, com ele fizemos o famoso espaço da galeria Lezlan Keplost,que depois foi um espaço fundamental de exibição desse tipo de arte.

-Para finalizar gostaria que você falasse algo da atualidade.

-Gostaria de fechar com um fato que se repete de vez em quando, ou seja cada certotempo as intenções se concentram. Há um artista que trabalhou no ano 2000, DanielArgente, ele viajou à Espanha, agora voltou e é responsável das Novas Mídias naIENBA (Instituto Escola Nacional das Belas Artes), ele está interessado no assunto darobótica, de criar interfaces interativas. O que ele faz é desenvolver projetos a partir debases informáticas. No ano 2008, Tomás Laurenzo e eu, fizemos no MNAV (MuseuNacional de Artes Visuais) uma oficina de processing, apostando a ter uma assistênciade 10-15 pessoas e se apresentaram 150 pessoas das que aceitamos 90… Isso nosdeu una idéia da vontade que havia de trabalhar nesse tema. Tomás viajou para oJapão, encontrou-se com Álvaro Cassinelli e lhe propus fazer uma oficina na IENBAaberta para todo público (assistiram: arquitetos, músicos, artistas, etc.) e ali formamosum grupo proveniente de diferentes lugares e geramos um produto em comum que sechamou “A bola dos Deuses”…Nesse entorno nasceu a Oficina de Computação Física, trabalha-se com sensores deluz movimento, força, modificam-se texturas, objetos, distâncias, mas a idéia étrabalhar em colaboração com todas as áreas; abordar não apenas o software livremas também o hardware livre, modificar as saídas e entradas de áudio, vídeo, etc.Esse é o nome, mas o conteúdo é mais amplo, porque também são feitos projetos deanimações, projection mapping, essa é uma grande mudança pois todos temosinteresses diferentes, é um lugar onde continuamente geram-se projetos. Neste ano,tudo isso se alinhou com o dorkbot que é uma instância de conhecimento eintercâmbio.

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continua en la parte 2

Capítulo I

Antesala— Entrevista a Clemente Padín

—Clemente: charlemos de tu experiencia en la década del ´60 y como pensás que esta influyó en el advenimiento de los nuevos medios en Uruguay.

—Los años ´60 fueron un crisol para el nacimiento de nuevas formas y posibilidades expresivas en todo el campo del arte, la danza, la escultura, la música, la plástica, etc.

Aparecen nuevos géneros: el arte de acción, la performance, el happening, el arte correo, la poesía experimental, también nace el conceptualismo, en sus dos vertientes, la de raíz anglosajona y el conceptualismo latinoamericano.

En el caso del arte correo hay una irrupción disruptiva en torno este tema, era una propuesta radical para trabajar al margen del mercado, salir del mainstream y privilegiar la comunicación.

El arte correo nace en los 60 a raíz de la actividad del artista Fluxus Ray Johnson en Nueva York y, hacia mediados de la década ya cuenta con un circuito latinoamericano integrado, sobre todo, por los mismos artistas que alimentaban a las revistas y publicaciones alternativas de la época: Guillermo Deisler, Edgardo Antonio Vigo, Dámaso Ogaz y muchos más entre los cuales se cuenta quien esto habla. Hoy se habla de interactividad como conquista del arte digital, sin embargo nace en las primeras experiencias de Ray Jonson con sus envíos postales “Add and Pass”. Es un arte que ha trascendido a todos los cambios, incluso ahora que existe una comunicación más directa como el mail, el arte correo sigue vigente.

Lo considero un medio….no digo revolucionario, porque no provoca cambios radicales en ninguna área de la actividad humana, pero sí “disruptivo” porque logró poner en jaque el sistema de las artes obligándolo a replantear sus objetivos de cara a la sociedad y el sistema. El arte correo debe mucho a artistas como Dick Higgins o Ken Friedman quienes posibilitaron su expansión al imponer que, en cada cátalo, se incluyeran las direcciones postales de los participantes. Fue así que se fueron generando las redes regionales, base del gran networing.

—Recién mencionaste la poesía experimental…..

—Si,por supuesto. Eso fue una evolución interesante que, tal vez, se originó en una cuestión generacional. Recuerdo que en los ´60 los jóvenes tenían muchos problemas para publicar por el peso de la generación del ´45 en los medios… no podíamos publicar nuestros trabajos en ningún lado, controlaban las editoriales, las páginas literarias, las ferias… Por ello no tuvimos más remedio que crear nuestros propios medios de difusión. Así un grupo de estudiantes de letras nos agrupamos y publicamos una revista que se llamó “Los Huevos del Plata” (buscamos un nombre que actuara como contrapartida a los nombres prestigiosos y transcendentes de una sola palabra que tenían las publicaciones de los del 45 —Arca, Marcha, Diálogo, Lumen….nosotros elegimos un nombre que rompiera esa tradición: Los Huevos del Plata”. Fueron 17 números que se sostuvieron gracias a los suscriptores y esto te demuestra que había apoyo que teníamos.

Esta experiencia nace básicamente como una reivindicación de nuestra generación y se afirma en eso, en crear una alternativa a la expresión literaria de la generación anterior, mayormente volcada al Realismo Literario. Nosotros teníamos otros intereses no tan limitados. Sobre todo estábamos muy interesados en poner al día a nuestra cultura, ajena, p.e., al Estructuralismo francés.

También recuperamos a poetas que habían sido sepultados por la generación del ´45….Alfredo Mario Ferrerio, Casaravilla Lemos, etc. y otros más cercamos como Aparicio Vignoli y el pintor Ernesto Cristiani autor de “Estructuras” uno de los primeros libros de poesía experimental editado en nuestro país en 1960. En fin estábamos dispuestos a crear cualquier forma de arte que fuera en contra de todo esto y así fuimos descubriendo la poesía experimental y otras formas artísticas experimentales como la performance, la instalación y el arte correo.

—Y la Poesía Visual?

—A través del intercambio de nuestras revistas, “Los Huevos” y después “OVUM10” fuimos conociendo las experiencias que en relación al lenguaje se venían realizando en el mundo. Así nuestras posiciones fueron evolucionando y cayendo en la experimentación y, explícitamente, en ciertas formas de la poesía visual. En aquellos años se consideraba al lenguaje como uno de los sistemas de control de la sociedad y, por ello, estratégicamente, se intentó “escribir” sin que el significado verbal favoreciera la intención del sistema imperante que imponía la verdad por “la elegancia de la expresión”, o “el poder de quien se expresaba” o “la verdad revelada por la autoridad”.

Por ello, porque no queríamos dejar de escribir, nos atrajo la poesía a semántica, es decir, poesía sin significación verbal (lo que hoy se conoce como “asemics”). Fue una etapa corta y efímera pues la poesía sin significación verbal tiene las patas cortas. Ya hacía 1972 habíamos dejado de producir y volvimos a la semanticidad aunque fuera del verso, trabajando visualmente las posibilidades expresivas de una o dos palabras a lo sumo.

—¿Qué artista destacas de esa época que haya trabajado con este formato?

—De aquella época, permíteme destacar a un gran poeta uruguayo, Jorge Caraballo, quien creó uno de los poemas visuales más conmovedores que haya visto: “Patria”

En ese momento también, en otros países latinoamericanos, se venía operando en este tipo de poesía. Así, Edgardo Antonio Vigo, director de las revistas “Diagonal Cero”, W.C.”, Hexágono 70” y otras en La Plata, Argentina, propuso su”Proposiciones a Realizar” con la cual intentaba lograr la participación del lector en la creación. También, Guillermo Deisler y Dámaso Ogaz, chilenos y otros como el movimiento Poema/proceso de Río de Janeiro, estaban en la misma onda.

También teníamos comunicación con artistas europeos, sobre todo franceses. Precisamente, el editor de la revista “DOC(K)s de Francia publica un libro de mi autoría “De la Representation a l´Action” en 1975 en el cual promovía un arte “sin objetos”… Ocurrió que, debido a mi encarcelamiento, no pude salir a difundir esas ideas y la propuesta cayó en el olvido. Cuando pude hacerlo, a fines de 1984, año de la caída de la dictadura uruguaya, ya era tarde…

A mediados de los 80 tuve oportunidad de hacer realidad esas ideas a través de la innumerable intervención urbana que realicé en Montevideo y otras ciudades a las cuales llamé “acontecimientos artísticos—sociales”. También, luego de mi viaje a Berlín, logro mi primer video y me afianzo como performer, culminando la década con la organización del “Primer Encuentro Latinoamericano de Arte en la Calle” realizado en Montevideo en 1990.Que ya pertenece a una etapa más actual de mi carrera.

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Capítulo III

La historia vista desde adentro—Charla con Enrique Aguerre

—Pensando en una nota sobre Historia de los Nuevos Medios en Uruguay es ineludible tu testimonio , de ahí la propuesta de esta entrevista (que más que entrevista es una charla) donde espero que me cuentes de manera descontracturada y simple tu experiencia en torno a este tema.

—En realidad “Nuevos Medios” es un concepto que fue cambiando, ahora ya son viejos medios,”old new media”…..pero ya hablaremos de eso luego…vamos al comienzo.

En Uruguay, hasta el `81,82 se podía trabajar en super 8 lo q se llamaba experimental o ficción, que lo exhibíamos en un espacio interesante que promovía el SODRE y también Cinemateca allí nos presentamos con varios trabajos de este tipo.

En el `83 fui a un taller que brindó JJMugni en un teatro que quedaba debajo del MAC, él invitó a cineastas argentinos como Narcisa Hirsch, Marie Louise Alemann, mostró obras de Claudio Caldini (yo ya tenía referencia de estos autores). Siempre fui cinéfilo pero nunca me había interesado el cine comercial entonces considere que esta era una buena oportunidad de conocer más de cerca la realización pero con un enfoque que se acercaba más a lo que yo esperaba del cine.

Después llegó el video (que podemos considerar que fue el primer nuevo medio), porque en este país no había acceso a otros medios para experimentar. Y con el video surgió un circuito donde se hacían cosas que podemos considerar alternativas como la televisión de autor, cine económico, videoclips….es decir la producción estaba pero no había ningún lugar donde exhibirlo, tenías que ir vos con tus medios y armarte el lugar donde mostrar, las salas de arte no estaban abiertas a este tipo de expresión (tampoco estaban equipadas para esto).

Entonces, creo que estaría bien decir que el primer “nuevo medio” fue el video, nuevo con respecto al viejo, que sería la fotografía, por suerte esto no es más que una ubicación cronológica porque todo esto se mezcla, se contamina entre sí.

En el `85 exhibo por primera vez un video mío, había poca gente dentro del campo del arte trabajando en esto, me interesaba el Grupo Octaedro, Fernando Álvarez Cozzi, (http://fronteraincierta.blogspot.com/2007/02/la—condicin—video—iv.html ), Clemente Padìn, eran gente que ya hacía tiempo que trabajaba y me interesaba mucho la conexión de estos con el “Fluxus”, me interesaba la mirada hacia la desmaterialización del objeto y ellos estaban en este camino.

Después del `90 hay un quiebre porque sentía que me estaba repitiendo y a mí me gusta trabajar desde la incomodidad, hago un párate y empiezo a trabajar con las herramientas digitales que en ese momento eran muy primitivas.

—En ese momento quienes trabajaban con este tipo de herramientas?

—Bueno, las computadoras estaban en ese momento como una herramienta de diseño, no era arte sino que era algo creativo, hubo algunas experiencia de dibujo infografico que imitaban al arte pero no creaban a partir de este soporte. La cosa es que a principio de los `90 muchos se rehusaban a trabajar con la computadora comenzaron hacerlo por un tema de necesidad laboral, pongo el ejemplo de Fernando Álvarez Cozzi, él trabajaba en Posdata y tuvo que aprender a usarla desde el principio del diseño pero como esto ocurría alrededor de un grupo de artistas, (Fidel Sclavo, Ariel Seoane, Martìn Mendizábal) surgió un nido de ideas referentes al arte. Yo tenía una isla instalada en mi casa y Ronald Metzel me propone un trabajo de subtitulado entonces nos planteamos (con mi socio) la necesidad de comprarnos una Commodore que te permitía experimentar y trabajar (vivir de eso), eran equipos de muy baja resolución y eso nos hizo entender que siempre íbamos a trabajar así; con equipamiento de baja resolución. Para nosotros el low fi no era una opción era la única forma de trabajo posible. Empezamos a trabajar con la amiga Commodore, a la cual sometía a experiencias extremas (risas) y preparé una obra para el Goethe, quedé conforme con eso y ya sobre los`90 empecé a trabajar con video en una escala multimedia.

Sobre el `93 surge Amarillo ,el boliche de los Burguez y Edu Lamas y me invitan a hacer visuales ,así que envolvía a la amiga Commodore en una toalla y desde ahí tirábamos videos sobre una enorme pared blanca (era una antigua fábrica) .Ese era un espacio (y un momento)de expresión libre, donde interactuaba con las bandas en vivo, entrabamos una línea de audio y yo mezclaba imágenes desde mi querida Commodore…ya hace 15 años, ese fue el primer uso creativo que le di a la máquina. Ahí conocí a Alcides Martínez Portillo que hacía sus performances con tubos de neón, me interesaba lo que hacía por su raíz Fluxus pero también por su modo de pensar el arte. Creo que hay que dedicar un capítulo especial para este artista que fue impresionante…

—Cual es para vos el punto de partida de los Nuevos Medios?

—Creo que cuando hablamos de Nuevos Medios hablamos de computadoras, porque el uso de este sistema cambia el paradigma. La computadora es la única máquina generativa y eso marca la diferencia con otros “medios”, ese es para mí el punto de partida. Así que N.M puros y duros implican uso de computadora, que es la única maquina genérica, una máquina que hace lo que vos mandes, dirige un satelite, licua huevos…entonces ahí cambia la historia.

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Pero más allá de esto, para mí el origen de los mismos es a mediados Siglo XIX del con el comienzo de la fotografía, ahí hablamos de una imagen producida por una maquina, por un aparato.

La diferencia es ese cambio de paradigma que te decía, o sea, la imagen técnica es texto, es texto científico aplicado, (es invisible pero está), cuando vos filmas pones una serie de algoritmos en la maquina que luego son decodificados. A mí me interesa eso, entrar en este proceso, no solamente apuntar al….sino investigar si puedo hacer cosas en contra de eso para generar otro sentido. ¿Por qué? Porque en algunos casos estos medios son medios de control, de sometimiento, entonces si como decía Debord “la imagen brillante pulida es mentira”, quizás tendríamos que pensar en esa ingeniería inversa que se le hacen a las cosas.

Por eso me fascinaron siempre las maquinitas, ellas tienen un uso que el fabricante recomienda y otro que vos inventas, entonces, el verdadero uso artístico no es que hagas cosas lindas o feas, sino que vos puedas apropiarte del objeto y darle otro uso.

Cuando Internet llega a Uruguay lo hace de manera limitada y costosa pero igual hubo gente que trabajo sobre eso desde el principio; Brian y Alcides.

Es por eso que yo siempre los nombro como referentes históricos: Brian, viene de la música y el empieza a hacer cosas desde allí. Alcides, trabajaba desde otro angulo,èl fue un artista que generó un montón de cosas , tenía una fuerte conexión con el Fluxus,su vida tenía que ver con su obra, no hacia registro de estas, creo que por la apuesta a desmaterializar….aunque a veces pareciera que fuera por saboteaba sus propios proyectos. Todo lo que se vio (o se conoce) son como esquirlas de una gran obra que hace falta recompilar, historiografiar, darle un sentido profundo.

En el año 2000 yo tenía un software que me permitía hacer ciertas cosas y le dije a Alcides que quería programar (tenia una mente totalmente analógica que no me permitía pasar para el otro lado del espejo) y él me dio un libro lleno de formulas y textos, difícil!! Era un manual que te permitía escribir en un lenguaje que vos mismo dirigías, ahí pude entender los conceptos (que ahora 10 años después, tengo claro), te estoy diciendo esto y me acuerdo de un libro que se llama “Aprenda a programar en 10 años”…. (risas) ese el tiempo mínimo para hacer las cosas, entender las leyes del pensamiento algorítmico……….la computación es algo muy importante para que se lo dejen solo a los programadores (risas).

—Hay algún otro artista uruguayo que tengas como referente, alguien que trabajara con arte generativo?

—Costigliolo y Maria Freire, con quien pasé muchas tardes de mi vida y con quienes aprendí mucho de arte. Costigliolo tiene un pensamiento algorítmico análogo, sus antecedentes son el minimalismo y el conceptualismo, los geométrico, él plasma todo esto en su libro. También Osvaldo Cibils, con el hicimos el famoso de la Lezlan Keplost, que luego fue un espacio fundamental de exhibición de este tipo de arte.

—Para terminar me gustaría que me contaras algo del hoy

—Me gustaría cerrar tomando un hecho que se repite cada tanto tiempo, o sea cada tanto las intenciones se concentran. Hay un artista que trabajo en el 2000, Daniel Argente, él viajo a España ahora volvió y está a cargo de Nuevos Medios en la IENBA, a él le interesa el tema de la robótica de crear interfaces interactiva, lo que él hace es desarrollar proyectos a partir de bases informáticas. Sobre el 2008, Tomás Laurenzo y yo, hicimos en el MNAV un taller de processing apostamos a que fueran 10—15 personas y se presentaron 150 personas de las cuales aceptamos 90….nos dio una idea de las ganas que había de trabajar sobre el tema. Tomás viaja a Japón, se encuentra con Álvaro Cassinelli y le propone hacer un taller en la IENBA abierta a todo público (asistieron : arquitectos,mùsicos, artistas, etc) y allí nos congregamos un grupo proveniente de diferentes lugares que generamos un producto en común que se llamó “La pelota de los Dioses”….

En este entorno nace el Taller de Computación Física, se trabaja con sensores de luz movimiento fuerza, se modifican texturas, objetos, distancia, pero la idea es trabajar en colaboración entre todas las areas; abordar no solo el software libre sino el hardware libre, hacerle modificaciones a las salidas y entradas de audio, video, etc. El nombre es ese, pero el contenido es más amplio, porque se hacen proyectos de animaciones, proyection maping, este es un cambio grande ya que todos tenemos intereses diferentes, es un lugar donde se generan proyectos todo el tiempo. Este año, se alineo todo esto con el dorkbot que es una instancia de conocimiento e intercambio. Son nodos que no están activados pero al activar uno se disparan los demás.

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Capítulo III

Punto de Referencia—Charla con Brian Mckern

—Antes de prender el grabador hablábamos de la necesidad de hablar de la historia de los nuevos medios en Uruguay y te decía que me interesa tu opinión como parte activa de esta historia, tu opinión desde lo afectivo, lo singular, no el dato puro y duro. —Yo no sé si hablar de Nuevos Medios porque eso tiene una historia que va mucho más atrás, me gusta más hablar de “Entornos Digitales”, lo digital como medio. En este caso ya estaríamos hablando de mediados de los ´90 y ya podríamos hablar de diferentes etapas de esta historia, podríamos hablar hasta de arqueología del soporte digital y la manera en la que esta avanza de forma violenta, virósica y rápida. En Europa hay una búsqueda hacia el origen de esta tecnología, buscan conocer más de la estética low tech, detenerse en puntos que no pudieron enfocar por la saturación que produjo el avance tecnológico.

Sin embargo en Uruguay fue y es distinto.

Yo puedo hablar de los ´90 para acá pero hay mucha cosa que ha pasado antes y que ha afectado este medio, videoarte, instalaciones, etc.

Pero a nivel de trabajo directo con Entornos Digitales ,el netart o el software art no era un tema a tratar (me refiero a Uruguay) creo que es como que no se vivió…..y por eso se trabajaba de manera solitaria.

En esa época, algo tan común como un cañon de video era muy difícil de conseguir y cuando encontrabas a alguien que te lo prestaba ,estaba medio quemado o descalibrado entonces tenías que buscar que tu trabajo se viera bien allí, por eso trabajábamos más el contraste , el pixelado, el blanco y negro (porque los colores salían absolutamente virados)…..creo que la búsqueda estética estaba marcada por esto (quizás no fuera algo consciente) ….se resolvían cosas de acuerdo a la herramienta que se tenía.

Esto también te marcaba en la capacidad de proceso, el “do it yourself” era la consigna, todo lo aprendías a través de internet (foros muy activos) con gente de diferentes partes del mundo que estaba en este mismo camino. Esta forma de trabajar nos daba un perfil propio.

En esto que te cuento el dato puro no está en cuestión, lo que importa es el motivo de estos datos, lo sensible, lo que lo rodea…eso hace a la historia.

—Cual es tu visión del “Arte y los Entornos Digitales”

—Hay dos visiones de lo que es “el arte en entornos digitales” (yo soy bastante fundamentalista y apoyo firmemente una de ellas) por ejemplo: el artista que realiza un video digital y utilizó determinado software para edición no lineal como herramienta para esta realización(por la facilidad que esto te permite), pero cuyo producto puede verse como una obra fuera de este entorno. Y el artista que trabaja directamente con el mundo digital, con el proceso que está ocurriendo en ese momento, con paradigmas propios en juego (paradigmas que se generan por el propio entorno ,con lo específico del medio), que son aquellos procesos activos que te permiten configurar en el momento la situación en la que te vas a ver instalado.

Es decir, si bien al principio estos paradigmas se vieron como muy novedosos luego nos dimos cuenta de que muchos de estos se apoyan en las vanguardias del siglo XX de Duchamp para acá, por ej.: el Dada, el Ready Made, el Remix,……o en el azar controlado como por ejemplo Pollock que agujeraba latas y dejaba caer los chorretes de pintura sin embargo él tenía el control de por dónde tenía que pasar la pintura ,esto se asemeja al artista digital que trabaja con una línea de tiempo que genera un algoritmo y hace que el lector vaya a diferentes frames y que vaya controlado por una semilla de azar especialmente programada. Ahora con el GPS se renueva el discurso situacionista, la subversión del control y la localización, la subversión del seguimiento de esa localización. O sea que podemos estar atados a ciertos puntos de vista que en realidad responden a manifiestos vanguardistas ya existentes, pero por lado está lo específico del medio, lo que sin ese medio sería imposible transferir.

—Los ´90 y más

—En el comienzo de esto había un manifiesto mucho más fuerte ,estaba mucho más marcada la postura en contra del sistema y también del arte ,una postura ligada al Dada ,se trataba de vivir de una manera outsider, no sé si desde la intención o desde la reacción… En mi caso el arte en internet comenzó como la única manera de mostrar cosas desde una plataforma instalada por mí y desde donde creaba el discurso que quería, esto me permitía conectarme con los pares que compartía puntos de vista y a quienes no les interesaba mi propuesta no navegaban por mis paginas y listo. La idea era convertir el concepto de interfaz en un hecho estético, se trabajaba desde el anonimato o desde identidades ficticias, había un toque naïf en la propuesta.

En esa época conocí a Alcides, que era una especie de poeta maldito, con una manera muy particular de concebir su obra y de decir las cosas (muy duchampiano).Cuando surge internet nos cruzamos en ese espacio y comenzamos a trabajar juntos ahí, consiguiendo manuales e intercambiando información ; realimentándonos, no era solo trabajar juntos sino compartir ideas –conceptos, por ej.: ambientación web (él llamaba así a este espacio…instalativo..) .Era un tipo que tenía muchos lyers de actividad social y vital , un gran enunciador ,esto lo hacía un artista difícil de abarcar, , todo eso remite a ese borde moderno y también davinciano que lo caracterizaba. En él había una actitud de atravesar capas disciplinarias y estar en varios lados a la vez. Dejó varios rastros desperdigados…por ahí anda un mítico disco duro que nadie sabe dónde está y todos dicen tenerlo….

A finales de los ´90 ,también hubo una experiencia muy interesante que tiene que ver con la electrónica ; INNOVA (Lagreca, Deutsch, Dalessio en música ,Willy Amatto en visuales y yo en interfaces),trabajaba con una laptop ( que me compro un museo en Valencia) que tenía la entrada de video quemada, entonces hacíamos todo en la pantalla de la laptop ,poníamos un trípode ,filmábamos lo que pasaba en la pantalla y Willy procesaba la imagen a través de su cámara (risas) todo estaba intervenido creativamente en tiempo real ….tuvimos una temporada de ”domingos electrónicos” en Pachamama que estuvo muy bueno por la continuidad que tuvo la experiencia. Esto nos ayudó a instalarnos hacernos visibles. Creo que el domingo es un buen día para trabajar este tipo de cosas por eso el “Dorkbot” es los domingos (risas).Hablando de los Dorkbot, pienso que en este momento hay instaladores de situaciones dentro de la realidad y ellos pueden ser artistas o no.

—Los dorkbot….

—Cuando comencé con Dorkbotmvd (http://dorkbotmvd.blogspot.com ),pensé en generar un espacio como el que me hubiera gustado tener a mí hace 10 años. Recuerdo la experiencia de Osvaldo Cibils , que en un sótano armó “Lezlan Keplost” y fue un lugar desde donde se accionó y dinamizó durante tres años todo el movimiento artístico de Montevideo, un lugar donde se mezclaban formato, discursos ….un gesto de generosidad por parte de un artista que supo ver la necesidad que había en ese momento.

Un espacio que fue construido para la confluencia. Allí se reúne gente que tiene desarrollado su proyecto pero su énfasis está en la afección ,el disfrutar de subvertir el uso de cualquier interfaz física ,darle otro sentido de uso a determinado aparato, armar y desarmar cosas ,todo esto tiene mucho que ver con el culture remix . Se está volviendo a ese disfrute que hubo en el principio de esta historia, se rescata lo lúdico, la fruición del trabajo con el entorno.

Obras que se pueden visitar en Internet:

http://www.internet.com.uy/vibri/ , http://netart.org.uy/ ,http://34s56w.org/xtcs/

http://no—content.net/lst/ , http://34s56w.org/soundtoys2006/

Capítulo IV

Mirada Singular

Cine Electrónico— Entrevista a Pincho Casanova

—Hace dos años te invité a que hicieras una experiencia en 16mm y respondiste algo así como: “gracias pero no, siento que el medio que utilizo es el adecuado para lo que hago”, esa firmeza en tu decir me llevó a pensar que había algo más que comodidad en la opción de capturar imagen a través de un medio digital. En esta afirmación (mía) y en tu trayectoria de los ´80 me baso para elegirte como el representante de este soporte, así que a partir de este momento voy a grabar tu relato sobre el comienzo de este camino.

—En realidad todo obedece a una crisis de vocación, porque no sabía qué hacer. Cuando me hice un test vocacional me salió que podía ser cualquier cosa menos arquitecto (risas). Y además el ambiente en la dictadura no te daba ánimo para estudiar nada, entonces me metí en el tema de la electrónica y no fue bueno porque la circunstancia no era propicia para esto, había una cierta discriminación con la UTU, era un galpón frio y los temas que tratábamos estaban desactualizados…pero siempre me apasiono la tecnología y la ciencia, siento que es un tema que toca a mi generación, yo nací con el satélite…

A la hora de elegir algo de que vivir me aboque a la fotografía, a partir de esa formación profesional y otras inquietudes (literarias, artísticas, etc.) surge como consecuencia el cine y se transforma en una pasión. En los ´80 había una cooperativa que trabajaba Super 8 CINECO (cine cooperativo, iniciativa del Arq. Dardo Bardier. Aquí aprendí a cortar y pegar (filme S8) y me preparé en lo referente al estudio de guión, teoría cinematográfica. De este equipo salió el grupo HACEDOR, que hizo un largometraje importante que fue “La vida rápida”.(*)

A dos años de eso, en 1982, tuvimos la oportunidad de formar junto a Esteban Schroeder y Alejandro Barreiro una ONG llamada CEMA (Centro de Medios Audiovisuales) un estudio de producción independiente, mi primera oportunidad de usar un medio electrónico con fines audiovisuales: diapomontajes a dos proyectores sincronizados con una pista sonora, y eso era tecnología de vanguardia en esa época.

Hacíamos audiovisuales de corte social y educativo, lo que se llamó en un período “comunicación popular”. En el ´85 las Iglesias de Alemania, Suecia y Canadá financiaron el proyecto: “ Videoproducción para el desarrollo social, económico y cultural del Uruguay” que era el proyecto institucional de CEMA , y esto incluía un equipamiento completo en U –matic.

De aquí surgen más de 40 video producciones en formato profesional.

Aplicamos todo lo soñado y estudiado en cine y fotografía a los medios electrónicos, eran cámaras de última tecnología que en ese momento eran de “tubo”… (3 tubos de rayos catódicos, uno por cada color: RGB) Bueno, a las escenas había que iluminarlas con equipos de iluminación muy potentes, y todo lo que esto implica en aparatos y gente. Por lo que podemos hablar de una forma de trabajo y formato cinematográfico, pero realizado con medios electrónicos. De aquí el término “cine electrónico”. En ese momento realizamos ficciones, documentales, “experimentales”. Trabajamos con gente de otras disciplinas, o de otros intereses artísticos: había mucha gente produciendo y esto alimentaba el ambiente creativo. Te nombro algunos como Cristo Olivera, poeta, Sanopi dibujante, Laura Canoura… en el CEMA se formó la primera generación de videastas y cineastas post—dictadura.

Paralelo a esto, Enrique Aguerre y Álvarez Cozzi hacían videoarte, Padín hacía performances callejera y si bien había un punto de unión nosotros no hacíamos arte, nosotros hacíamos cine (también porque la calidad importaba: ellos usaban equipos no profesionales), la palabra arte no estaba en nuestras metas….se podría decir que nuestro oficio era la imagen.

Es decir, sabíamos de Nam June Paik o de gente que hacía arte con televisión, ya desde la década del cincuenta, pero en lo personal me atraía mucho más lo que conocía de música electrónica u otros campos ligados con los nuevos medios. Por ejemplo que la Siemens le haya dado a Stockhausen la primer computadora para que hiciera música, fue algo que atrapo mi atención más que otras cosas que sucedían con los medios electrónicos.

En el ´89 hice un video de autor con Marosa di Giorgio, fue un trabajo con producción, con actores, en una locación especial, con banda sonora electrónica de Daniel Maggiolo, precursor de la música nueva en Uruguay. Estuvimos 15 días en una chacra con un equipo que contaba con director de fotografía, asistentes de cámara, productores, actores, vestuaristas, etc. y bueno, este fue el comienzo de algo distinto para mí. En la misma época que corresponde a mi alejamiento de CEMA, y desde afuera de la institución, realizamos Cabo Polonio en invierno con mi hermano Guillermo. Fuimos a hacer algo que fuera la imagen por la imagen (fotografía pura), nos llevamos un trípode que pesaba mucho, cargábamos las baterías cada noche en el faro, filmamos horas, tomas demoradas, sin tiempo, en casetes de veinte minutos, con casetera aparte de la cámara… las nubes pasando sobre la arena, las olas despeinadas por el viento, la arena pegando en la piedra, el lobo marino muriendo en la orilla…Este trabajo puede ser considerado “video arte” , si hubiese sido filmado, habría sido “cine arte”, como no había un rótulo específico, en los festivales de la época se le llamaba categoría “experimental”, ya que sí existía el término “cine experimental”. Antes realicé un documental tipo “video arte” sobre la Colonia Etchepare, donde lo importante era el montaje de esas imágenes terribles. Y lo consideramos “arte” ya que la expresión era fundamentalmente imagen y música, con algunos testimonios, pero sin voz institucional. Marosa recitó un poema del Infierno de la Divina Comedia, eso fue una manera distinta de mostrar una realidad. De ahí siguió una fuerte producción con Roberto Mascaró, poeta uruguayo residente en Suecia,que trajo las novedades del video arte, por su trabajo con Juan Castillo y éste con Raúl Zurita y Kjartan Slettemark. Este video formó parte de muestras de video de la época, junto a producciones de Aguerre, Cozzi, Padín, entre otros y además fue emitido por el programa “inéditos” de Luciano Alvarez en canal 10. Con este video gané un premio y fue solicitado en el novel parlamento para ser emitido en sala como documento.

Con Roberto Mascaró, hicimos “Itinerarios”, que gano el premio “Carabela de plata “del SODRE, después él hizo “Jacuzzi interior” (yo le hice la cámara y la edición), luego hice “despertador” donde actuó Roberto, “Florida fluden” a medias, “Mermelada” con Anneli Göranson, uno con Antolín….toda esa época, principio de la década de los 90, fue muy productiva en lo creativo y creo que es lo que podría llamarse video de creación, de autor o video arte.

—Como fue que desembocaste en la televisión siendo que ya estabas tan firme dentro de la producción cinematográfica?

—Fue algo fortuito, después de una estadía en Suecia, donde conocí a los mencionados, invité a venir al Uruguay a una flota de gente. En Suecia realizamos “2012 Nervios de acero” y aquí inventamos el festival de arte “la punta del diablo” en Cabo Polonio. Eso fue en el ´92 y en el 94. La cosa es que esta movida me consumió mucha energía y desde la nada (que era donde había quedado) ofrecí un programa de lo realizado en el Cabo al Canal 5. El director del canal en ese momento –Víctor Vjorgan— en contrapartida me ofreció hacer un programa de arte, pero uruguayo y así empezó “El Monitor Plástico”, que al principio fue con el formato que yo sabía manejar – profesional, “camcorder” — junto a la cooperativa Encuadre, pero luego aparecieron las cámaras Hi 8 con calidad casi igual a la U— matic con la diferencia de que eran la mitad de tamaño y de peso. Y en el 2000, la segunda época del programa, directamente con Handy cam: me anoté en ese cambio porque revolucionó el concepto de la producción, la economizó, la hizo posible, sobre todo para un programa de arte sin financiamiento, me pareció que con eso había que hacer televisión y que ese era el formato que yo quería para la realización de un programa como este.

También pasaba que la realización cinematográfica implicaba un trabajo de grupo que puede ser bueno o…infernal (risas). Hay un tema de cómo se fue profesionalizando aquí el cine, que empuja a un ambiente un poco militarista, toda las productoras en los ´90 proponían esa forma de trabajar, rígida y autoritaria. Yo ya no quería eso para mí, ya tenía una estética propia y la sostenía como fuera, por rebeldía y por respeto a mí mismo, quizás esta cualidad, la de respetar una forma propia de hacer y pensar, sea la que llevó a que hoy todos apoyen al Monitor Plástico como un medio auténtico de archivo que vale la pena mantener.

Hay algo de vasco en todo esto…….

—Queda pendiente la visita a tu obra de después del 2000, te propongo dejarla para la próxima nota.

Videos que pueden ser visitados desde internet: http://www.youtube.com/user/pinchocasanova http://elmonitorplastico.com/VideoPlaylist_Videoteca/VideoPlaylist_Videoteca.html

*Integrantes del Grupo Hacedor :Hugo Videckis, Hugo Martínez, Eduardo Saraiva y otros

Blogosfera—

http://autorretratoteresapuppo.blogspot.com/

Entrevista a Teresa Puppo

—Me interesa charlar contigo acerca tu blog, recuerdo cuando comenzó y me contaste que querías hacer una obra que tomara la web como soporte y que fuera también una manera de autopreservación…

—Yo hago autorretratos desde hace mucho tiempo, después me interesó profundizar en ese tema. Había hecho una serie de fotografías disfrazada, lo importante de esas 5 fotografías era el espejo…  lo que este devolvía; ser vos y también ser otra persona.  Luego hice 72 retratos de mí misma que mezclan imágenes de diferentes etapas de mi vida; ahí juego con el tiempo, con todo esto que convive en una persona, lo que fuiste, lo que sos…Antes fui a un taller con Enrique Aguerre y le conté la idea de hacer algo con lo cotidiano, que fuera dinámico e interactivo y él me sugirió que usara el blog, un formato relativamente nuevo. Me pareció un buen soporte para esta idea, me gustó también porque el que entraba podía dirigir su mirada hacia donde le interesaba, también se iba a encontrar con cosas en común, así que ahí empecé con el registro día a día..

El disparador de esta obra fue José Luis Brea *, una frase que leí de él. Mi relacionamiento con el otro, o sea en este caso mi autorretrato no es igual a los demás porque no era yo misma la protagonista sino también mi entorno, acá está lo efímero, lo cotidiano, el tiempo como testigo de mi vida. Todos los días saco fotos de cosas mínimas, algunas casi imperceptibles del día a día, y escribo un texto sobre ese día, así la obra se convirtió en un work in progress, una obra abierta que está siempre en proceso… hasta que algún día se acabará… Mucha gente conoce mi entorno a través de mi blog y cuando digo mi entorno digo mi familia, el fac, artistas, amigos. Gente de otras partes del mundo, por ejemplo Danilo Volpato,el artista brasilero que ganó la residencia en el fac, conoció la escollera Sarandí y el entorno de mi vida por el blog. De ahí lo que te decía de mi relacionamiento con el otro, por un lado mi vida es privada y por el otro está en internet a mano de cualquiera que quiera leerlo. Antes me fijaba más cuantas personas entraban, prestaba más atención a los comentarios, pero ahora creo que lo importante de la obra es ese ejercicio de contabilizar el tiempo, el poder mirar para atrás, recordar esas cosas que en apariencia no fueron importantes en tu vida y que quedan registradas para no olvidarlas más. Mi memoria está acá, en esta obra.

—Que pasa si el soporte que usas deja de existir?

—Sé que internet es un soporte cambiante pero tengo respaldo de casi todo, una especie de archivos de casi todas las imágenes y ahora también lo estoy haciendo de los textos, pero no estoy pensando en que sucederá con la obra si esto pasa, la obra es efímera e internet es cambiante…

—Que artista o teórico podes nombrar como referente o como alguien que te alentó a trabajar con Nuevos Medios (más allá de esta obra del blog)?

—Yo pienso que lo digital es parte de mi proceso como lo es la pintura o la escritura. Mezclo todo esto a la hora de hacer una obra. Sin embargo pienso que trabajar con cada lenguaje, para cada soporte es distinto, como también es distinto hacer una performance o una fotografía. En el caso del blog es una obra que tiene 6 años y me gusta que siga, es una obra que me hizo ver cosas como que el día tiene 24 horas y yo elijo un instante que habla de esas 24 horas, al principio pensaba que podía ser objetiva y hoy lo veo diferente; también cambió mi idea acerca del espacio temporal. Respecto a que artistas ¿uruguayos? (si, uruguayos), influyeron para que trabajara con nuevos medios, Enrique Aguerre, Ángela López (vos) y por supuesto Graciela Taquini (que es como si fuera uruguaya ) que marcó un inicio en este proceso en el que estoy

* “Toda pregnancia de uno mismo se gesta en el relacionamiento con el otro.”

J.L. Brea

Paisaje y Nuevos Medios— Charla con Juliana Rosales

—Hace un ratito me estabas contando sobre como comenzaste a relacionarte con “los nuevos medios” y como estos influyeron en tu trabajo post—scic.*

—Si, yo fui estudiar a Southern Institute of Architecture en Los Angeles (California) y allí estaba en un ambiente donde el cruce de disciplinas era especialmente bienvenido y fue ahí donde tomé contacto con el entorno digital. Cuando comencé a realizar mi tesis, que era acerca del Agua y la Arquitectura, la herramienta digital me pareció la más adecuada para trabajar en esto. El tema planteado en la tesis era explorar el límite entre el Agua y la Arquitectura, como un medio se sumerge en el otro, la superposición modifica de algún modo la percepción del hecho. Esto me atrapa desde mucho antes a L.A, viene de mi infancia en Mercedes, de las crecientes y de mi relación con este entorno.

—El tema de esta entrevista es Paisaje y Nuevos Medios, un tema que vos venís trabajando hace mucho tiempo .Contame el comienzo de este recorrido…

—Paisaje y Nuevos Medios…bueno…hace muchos años y desde otra mirada, Fernando Álvarez Cozzi y Carlos Pellegrino habían hecho videos (3 de Colonia) que también estaban relacionados con este tema. Yo hice obras con este contenido pero no me considero una artista de los Nuevos Medios (que ya no lo son porque tienen unos cuantos años), en todo caso me considero una arquitecta—artista que utiliza esta herramienta bastante desprejuiciadamente, descubro la capacidad de la herramienta cada vez que la utilizo. Lo que me fascina es el universo que surge a partir de la digitalización de los datos: imágenes, sonidos, espacios,…..eso es lo que me atrapa…esa inmersión dentro de una dimensión a descubrir. Me fascina la lógica que poseen, la belleza de esa lógica, el percibo como la belleza fría que tiene los números, en algún sentido ligada a la belleza de los cristales, la música de las esferas del renacimiento. Los nuevos medios no me interesan demasiado me parece algo encerrado en sí mismo. En L.A conocí un sitio llamado CLUI, Center for Land Use Interpretation , Centro para la interpretación del uso de la tierra ( recomiendo que visiten su sitio web www.clui.org ), es un lugar donde uno nunca sabe si lo que está viendo es arte, ciencia, tecnología o historia, y lo que sucede es que ES todo eso a la vez. Lo que hacen es estudiar el uso de la tierra ,mejor dicho, usos inusuales de la tierra, por ej: cosas referidas a su paisaje, bases militares abandonadas, construcciones tradicionales en cuevas ,lugares radiactivos, ahora están trabajando con las construcciones del delta del Mississippi, construcciones que se han hecho después de las inundaciones, esto no está trabajado desde la documentación habitual, periodística, o la interpretación artística sino desde un lugar donde …se lo toma como un todo y como nosotros conmovemos ante todo esto. Si, conocer este proyecto, el modo en que trabajaban, como vehiculizaban y se cruzaban disciplinas (arte, documentación geográfica, historia), fue algo que me marcó y, teniendo en cuenta los medios físicos que tenía (materiales, tecnológicos, etc) elegí el medio digital para trabajar. Hoy lo siento como una herramienta generadora de territorio, un medio capaz de generar percepciones diferentes y eso me gusta. Si tuviera un helicóptero a mi disposición otra sería la historia…. (Risas)

—Me gustaría saber más acerca de tus referentes, o sea, más allá de este colectivo que contás alguien que te haya afectado con su experiencia.

—Si, yo estudié con el Arq Neil Denari, que trabaja con formas autogeneradas, haciendo referencia a modelos biológicos y modelos mecánicos, él hablaba del cambio del paradigma moderno o sea el cambio del paradigma en la construcción del espacio y estudiamos mucho el tema del tiempo, por ejemplo: el tiempo en el cine de Antonioni, como traducir ese tiempo desteñido a la generación de espacio, los dispositivos que se generaron a partir de esto fueron fascinantes. Lo que quiero decir es que lo que más me interesa del territorio de lo digital esa cosa de dimensión nueva, de recorrido randómico capaz de generar cosas. Cuando volví a Montevideo conocí a Brian, él tiene un maravilloso archivo de obras en internet y eso fue una fuente importantísima de conocimiento. Luego leí a Lev Manovich y me sentí identificada con su análisis sobre los entornos digitales.

—En este momento estás exhibiendo una obra en el Subte donde confluye, el soporte fílmico y el entorno digital, también Manovich ha escrito mucho sobre este tópico.

—No lo había pensado desde ese punto. Lo que Manovich hace es analizar temas de la vanguardia rusa ,que a mí también me parece la más interesante , analiza preceptos que han pasado de ser manifiestos a ser herramientas y se pregunta cuál es el nuevo manifiesto de estas herramientas, lo que a mí me interesaba hacer en esta obra es confrontar el tema de la percepción, el ojo, la visión central del ojo que es el documento más certero que tenemos mientras el cuerpo estaba quieto y la otra percepción; es la de recorrer el lugar a través del cuerpo o sea seguir el recorrido del cuerpo registrando su movimiento a través de la captación de su volumen en el territorio con un dispositivo de GPS. Por ejemplo ahora estoy trabajando con esto y alguien me decía la vinculación que tiene esto con el panóptico, con la forma en la que podemos controlar al otro…… (También internet comenzó así, pero es un mundo paralelo donde lo pirata convive con este control), pero volviendo al GPS, cuando yo comencé a trabajar con esta herramienta no me puse a pensar en eso. Lo que pensé es que son como estrellas artificiales creadas por el hombre y que lo que yo quería hacer era bailar con esas estrellas, después viene el resto…Por eso lo de la inmersión y la búsqueda randomica son lo que más me atrapa del tema.

Obras que se pueden ver en internet: http://turbulence.org/blog/2009/07/24/live—stage—juliana—rosales—locative—media—montevideo/

Capitulo V

Tributo afectivo:

Video de verónica y alcides.

Sitios de artistas uruguayos mencionados por los entrevistados:

Edgardo Acosta Bentos: http://boek861.blog.com.es/2009/03/15/acosta—bentos—poesia—visual—5762354/

Fernando Alvarez Cozzi: http://netart.org.uy/vintage/flyers/interfaces/interface.swf

Alvaro Cassinelli: http://www.k2.t.u—tokyo.ac.jp/members/alvaro/works/

Osvaldo Cibils: http://osvaldocibils.com/

Tomás Laurenzo: http://laurenzo.net/

Roberto Mascaró: http://www.robertomascaro.com/

Datos biográficos de los entrevistados:

Clemente Padín: http://clementepadin.blogspot.com/

Enrique Aguerre: http://www.enriqueaguerre.com/sinretorno/

Brian Mackern: http://netart.org.uy/brian.html

Pincho Casanova: http://elmonitorplastico.com/Pincho_Casanova.html

Juliana Rosales: http://www.fondation—langlois.org/html/e/page.php?NumPage=2093

Teresa Puppo: http://teresapuppo.com/

Epilogo:

“Por primera vez en la historia, las imágenes son efímeras, ubicuas, carentes de corporeidad, accesibles, sin valor, libres. Nos rodean del mismo modo que nos rodea el lenguaje. Han entrado en la corriente principal de la vida sobre la que no tienen ningún poder por si mismas” John Berger “Ways of Seeing”

Agradezco el tiempo brindado por los entrevistados para componer esta nota. Ángela López Ruiz


Índice

Travelling. Introducción

Travelling (parte 1). Capítulo I y II

Travelling (parte 2). Capítulo III y IV

Travelling (parte 3). Continuación capítulo IV, capítulo V y enlaces